quinta-feira, 24 de maio de 2012

RÉU-CONFESSO


Eu resolvi jamais resolver
Viver na última fronteira
Da instância derradeira
Tentando assim me absolver.
Se o indício me absorver,
Feito lágrima verdadeira,
Por impunhar minha bandeira,
Não, não irei me comover.

Não me arrependo pelo que não fiz
Mas, pelo que não tenho acertado
E assumo que sou culpado,
Réu-confesso de um erro infeliz.
A minha consciência me diz
Que, pelo que tenho errado,
Eu já mereço ser perdoado
Pelo erro que não condiz.

Não condiz com a maneira
Que me querem ver julgado
Ou, pelo meu erro, sojigado,
Humilhado a vida inteira.
Por isto, enquanto eu viver,
Não seguirei só o meu nariz,
Indiciando-me porque desfiz
O erro de não apenas sobreviver.

Se erro é tentando acertar,
Tentando fazer a coisa direito.
Erro, pois ninguém é perfeito,
Mas, sujeito ao que lhe imputar.
Assim, vou tentando juntar
Aquilo que for imperfeito
E fazendo tudo do meu jeito
A coisa, do erro que restar.

Autor: Abel Alves

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