sexta-feira, 8 de junho de 2012

O ABRAÇO DOS AFOGADOS


Da mesma forma que há a possibilidade de votar em Maria Laurenice Pereira de Oliveira para o cargo de prefeita deste município, como ainda há a possibilidade de continuar votando em Severino Pereira Dantas, nosso atual prefeito, para o mesmo cargo, o que só depende de uma “conversa”, creio que a decisão de apenas parte das oposições paulistenses (já que a outra parte da oposição está com o prefeito) de apresentar o nome de Laurenice para disputar as eleições de outubro próximo com Severino é mais uma decisão forçada e desesperada do que qualquer outro sinônimo que possa qualificá-la. É o que se pode chamar de “abraço dos afogados”: Quando alguém está se afogando no oceano da vida, na tentativa de sobreviver, ele se agarra a qualquer coisa, até mesmo a uma serpente venenosa; e, se houver outros indivíduos em igual situação, todos eles se agarram uns aos outros e morrem unidos pela sua própria desunião, o que constitui o abraço dos afogados.
Como se sabe, houve um empate técnico nas eleições para prefeito em 2008. Severino obteve 4.042 votos, 50,3%, e Carrinho obteve 3.994 votos, 49,7% dos votos válidos. Isto prova que a oposição de Paulista sempre foi muito forte sob o comando de Carrinho. Todavia, com esse empate técnico, todo mundo da “oposição”, e cada um individualmente, achou que poderia “ganhar” o poder sem o menor esforço: A inveja e a ganância são tão inconvenientes e atrevidas que a pessoa prejudica outras pessoas, inclusive, através de seu próprio prejuízo. Em vez do partido derrotado apenas por 48 votos reunir-se em prol da elaboração de um programa de trabalho que servisse de parâmetro para o eleitor comparar e escolher a melhor proposta, todos tentaram sobreviver das migalhas do fracasso alheio.
O eleitorado de Paulista, formado por uma parte de “Maria vai com as outras”, até mesmo um pouco mais de 3.994, 49,7% dos eleitores, por não ter uma realidade palpável ou uma esperança promissora com que se agarrar, evadiu-se. Muitos transferiram o domicílio eleitoral, sobretudo, para São Bento; outros, sob a premissa de que “em terra de sapos, de cócoras com eles”, aliaram-se ao prefeito e, ainda, outra parte considerável desses eleitores da oposição, por medo de mais uma derrota certa, evidente, inevitável, prefere anular o voto ou não votar em nenhum dos candidatos.
Em suma, ou a oposição de Paulista pensa grande e faz por onde merecer a confiança e o repeito do eleitorado ou jamais passará de oposição e somente será percebida quando for para ser pisada e esmagada pelo rolo compressor da situação. Todavia, parabenizo a vereadora Maria Laurenice Pereira de Oliveira pela coragem depreendida para enfrentar o sistema, pois, nas atuais conjecturas políticas, ela somente será prefeita de Paulista se houver um milagre e, ainda, se ela for merecedora desse milagre.

Autor: Abel Alves
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